Fim
A morte vai chegar...
Já todos sabem. Foi-se a esperança...
Os choros já não são só lágrimas:
há soluços fundos
com a respiração do moribundo.
Sem descanso, uniformes
-o ciciar duma reza,
o bater dum relógio,
o zumbir dum moscardo,
passos no corredor,
a vida na rua...
Pela abertura da janela,
uma lâmina de sol.
A morte vai chegar;
tudo e todos a esperam.
Caem as lágrimas.
Quase gritos, os soluços.
A respiração daquele
que já não é bem da vida
e a morte ainda não tem
-é mais custosa
Ele abre muito os olhos,
fecha as mãos, ergue o tronco,
quer falar, não pode
e o olhar tem uma visão
que está para lá de tudo.
Uma nuvem levou
a lâmina de sol.
O corpo descai... Um grito!
Findou a reza.
Os passos, no corredor,
pararam.
O moscardo pousou.
O relógio bate, bate,
a vida é a mesma, lá fora
e nos olhos do morto
a visão permanece...
Alberto de Serpa
ouvindo:
La Traviata - Giuseppe verdi
Maria Callas (1923-1977)
A morte vai chegar...
Já todos sabem. Foi-se a esperança...
Os choros já não são só lágrimas:
há soluços fundos
com a respiração do moribundo.
Sem descanso, uniformes
-o ciciar duma reza,
o bater dum relógio,
o zumbir dum moscardo,
passos no corredor,
a vida na rua...
Pela abertura da janela,
uma lâmina de sol.
A morte vai chegar;
tudo e todos a esperam.
Caem as lágrimas.
Quase gritos, os soluços.
A respiração daquele
que já não é bem da vida
e a morte ainda não tem
-é mais custosa
Ele abre muito os olhos,
fecha as mãos, ergue o tronco,
quer falar, não pode
e o olhar tem uma visão
que está para lá de tudo.
Uma nuvem levou
a lâmina de sol.
O corpo descai... Um grito!
Findou a reza.
Os passos, no corredor,
pararam.
O moscardo pousou.
O relógio bate, bate,
a vida é a mesma, lá fora
e nos olhos do morto
a visão permanece...
Alberto de Serpa
ouvindo:
La Traviata - Giuseppe verdi
Maria Callas (1923-1977)
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