Quinta-feira, Junho 24, 2004

Fim

A morte vai chegar...
Já todos sabem. Foi-se a esperança...
Os choros já não são só lágrimas:
há soluços fundos
com a respiração do moribundo.
Sem descanso, uniformes
-o ciciar duma reza,
o bater dum relógio,
o zumbir dum moscardo,
passos no corredor,
a vida na rua...
Pela abertura da janela,
uma lâmina de sol.
A morte vai chegar;
tudo e todos a esperam.
Caem as lágrimas.
Quase gritos, os soluços.
A respiração daquele
que já não é bem da vida
e a morte ainda não tem
-é mais custosa
Ele abre muito os olhos,
fecha as mãos, ergue o tronco,
quer falar, não pode
e o olhar tem uma visão
que está para lá de tudo.
Uma nuvem levou
a lâmina de sol.
O corpo descai... Um grito!
Findou a reza.
Os passos, no corredor,
pararam.
O moscardo pousou.
O relógio bate, bate,
a vida é a mesma, lá fora
e nos olhos do morto
a visão permanece...

Alberto de Serpa

ouvindo:
La Traviata - Giuseppe verdi
Maria Callas (1923-1977)

Quarta-feira, Junho 09, 2004

Terça-feira, Junho 08, 2004

Fantasia

Despedacei tanto sonho
ao correr atrás da vida,
que tendo-a por fim segura
e com ela os meus segredos
vi que deixara perdidas
as razões desse correr,
e que tendo enfim, a chave
já perdera a fechadura.

Adolfo Casais Monteiro


Maio 2004
Fotografia de Paulo Moura

Ouvindo:
Limbo jazz
Duke Ellington & Coleman Hawkins

Segunda-feira, Junho 07, 2004

Each day in life is training
training for myself
though failure is possible
living each moment
equal to anything
ready for everything
i am alive – i am this moment
my future is here and now
for if I cannot endure today when and where will I ?

(words for each day)

Soen Ozeki


Novembro 2002
Fotografia de Paulo Moura

Ouvindo:
The Tokyo blues
Dee Dee Bridgewater